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domingo, 16 de agosto de 2009

Free (Cazuza Sempre / "O Tempo Não Pára")



Tenho escutado, como de costume, muitas músicas dos anos 80 nacionais ou não e sempre me identificando muito com o que está ali eternizado. Como se estes poetas em geral conseguissem traduzir emoções, sentimentos que me assolavam e alguns me acompanham até hoje. Outros se renovam, uns são periódicos outros crônicos, mas todos eles me pertencem de alguma forma ou em algum momento. São gênios estes poetas. Muitos conseguem verbalizar atitudes, ações realizadas ou sonhadas, amores proibidos e os também vividos. Estados emocionais que somente o próprio sabe o que é. Alguém próximo, sensível e vivido o suficiente pode até chegar bem perto, entender o que acontece, mas saber mesmo? Só o próprio. Eu sou o credor de minhas escolhas. É bem assim.

Cazuza fez isto como poucos para a geração 80 e as subsequentes. Ele sentenciou enquadrando a época reafirmando que "O Tempo Não Pára", canção sua com letra que diz tanto de uma forma tão direta, aberta, sensível e isto logo após o período vivido pelo Brasil com a ditadura. Um grito de liberdade e contestação. Se fosse para escolher apenas uma canção que me representasse bem - isto seria quase impossível - cito esta.




Souza Cruz S.A.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Derby Azul (Post Minimalista 21)



Post minimalista - informação e pouco texto - de volta as canções e seus poetas; hoje, "O Tempo Não Pára", de Cazuza. Um clássico bem apropriado para este momento. Aliás, sempre apropriado.


O Tempo Não Pára

Composição: Cazuza / Arnaldo Brandão

Disparo contra o sol
Sou forte, sou por acaso
Minha metralhadora cheia de mágoas
Eu sou um cara
Cansado de correr
Na direção contrária
Sem pódio de chegada ou beijo de namorada
Eu sou mais um cara

Mas se você achar
Que eu tô derrotado
Saiba que ainda estão rolando os dados
Porque o tempo, o tempo não pára

Dias sim, dias não
Eu vou sobrevivendo sem um arranhão
Da caridade de quem me detesta

A tua piscina tá cheia de ratos
Tuas idéias não correspondem aos fatos
O tempo não pára

Eu vejo o futuro repetir o passado
Eu vejo um museu de grandes novidades
O tempo não pára
Não pára, não, não pára

Eu não tenho data pra comemorar
Às vezes os meus dias são de par em par
Procurando uma agulha num palheiro

Nas noites de frio é melhor nem nascer
Nas de calor, se escolhe: é matar ou morrer
E assim nos tornamos brasileiros
Te chamam de ladrão, de bicha, maconheiro
Transformam o país inteiro num puteiro
Pois assim se ganha mais dinheiro

A tua piscina tá cheia de ratos
Tuas idéias não correspondem aos fatos
O tempo não pára

Eu vejo o futuro repetir o passado
Eu vejo um museu de grandes novidades
O tempo não pára
Não pára, não, não pára

Dias sim, dias não
Eu vou sobrevivendo sem um arranhão
Da caridade de quem me detesta

A tua piscina tá cheia de ratos
Tuas idéias não correspondem aos fatos
O tempo não pára

Eu vejo o futuro repetir o passado
Eu vejo um museu de grandes novidades
O tempo não pára
Não pára, não, não pára





Souza Cruz S.A.